Tartaruga Marcada em Ubatuba há 24 Anos é Reencontrada em Fernando de Noronha
Registro inédito do Projeto Tamar confirma rota migratória da espécie e destaca a importância da conservação marinha integrada.

Descoberta Científica Relevante
Um evento significativo para a conservação marinha foi registrado recentemente: uma tartaruga-verde (Chelonia mydas), marcada pelo Projeto Tamar na Praia do Camburi, em Ubatuba (SP), em janeiro de 2001, foi reencontrada desovando na Praia da Quixabinha, em Fernando de Noronha (PE), em maio de 2025. Este é o primeiro registro de um animal marcado ainda jovem em área de alimentação sendo posteriormente identificado em sua área de reprodução pelo projeto.
Na época da marcação, realizada por Henrique Becker, atual coordenador da base do Tamar em Ubatuba, a tartaruga media 49 cm de carapaça e pesava 13 kg. Ao ser reencontrada 24 anos depois, o animal apresentava 103 cm de carapaça, indicando ter alcançado a maturidade sexual, um processo que na espécie leva aproximadamente 30 anos.
Comprovação de Rotas Migratórias

A descoberta é uma evidência direta das longas jornadas migratórias realizadas pelas tartarugas-verdes no Atlântico. Estudos genéticos anteriores já apontavam que as tartarugas juvenis que utilizam a costa brasileira como área de alimentação poderiam ser originárias de locais de desova distantes, como a Ilha de Ascension, Atol das Rocas, Trindade e até mesmo praias do Caribe. O reencontro confirma essa conexão.
A durabilidade das marcas metálicas de aço-inox, que permaneceram legíveis por 24 anos em ambiente marinho, também foi um ponto destacado pelos pesquisadores como fundamental para o sucesso do monitoramento a longo prazo.
Implicações para a Conservação
O Projeto Tamar, atuante em Ubatuba desde 1991, já marcou mais de 12 mil tartarugas na região, gerando dados cruciais para a compreensão e proteção da espécie. Este reencontro específico sublinha a importância de estratégias de conservação que abranjam não apenas as áreas de nidificação, mas também as áreas de alimentação e os corredores migratórios utilizados pelas tartarugas marinhas ao longo de seu ciclo de vida.
A proteção desses habitats é essencial para garantir a sobrevivência de espécies como a tartaruga-verde, que enfrenta diversas ameaças ao longo de sua extensa distribuição geográfica.
Fonte: Projeto Tamar

